
Wednesday, January 2, 2008
Wednesday, September 5, 2007
(?)
Monday, September 3, 2007
where is my little pony?


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Wednesday, July 25, 2007
bizarre love triangle
"À dolorosa luz das grandes lâmpadas eléctricas da fábrica
Tenho febre e escrevo
Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto
Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos
(...)
Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r- eterno!
Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria!
Em fúria dentro e fora de mim,
Por todos os meus nervos dissecados fora,
Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto!
Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos,
De vos ouvir demasiadamente de perto,
E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso
De expressão de todas as minhas sensações,
Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas!
(...)
(Na nora do quintal da minha casa
O burro anda à roda, anda à roda,
E o mistério do mundo é do tamanho disto.
Limpa o suor com o braço, trabalhador descontente
A luz do sol abafa o silêncio das esferas
E havemos todos de morrer,
Ó pinheirais sombrios ao crepúsculo,
Pinheirais onde a minha infância era outra coisa
Do que eu sou hoje)
(...)
Giro dentro das hélices de todos os navios.
Eia! eia-hô! eia!
Eia! sou o calor mecânico e a electricidade!
Eia! e os rails e as casas de máquinas e a Europa!
Eia e hurrah por mim-tudo, máquinas a trabalhar, eia!
Galgar com tudo por cima de tudo! Hup-lá!
Hup-lá, huplá, hup-la-hô, hup-lá!
Hé-la! hé-hô! H-o-o-o-o!
Z-z-z-z-z-z-z-z-z-z-z!
Ah não ser eu toda a gente e toda a parte!"
in Ode Triunfal, Fernando Pessoa
Sunday, July 22, 2007
Friday, July 6, 2007
in between days
"...Estou tão triste. Vamos para férias, para o pequeno paraíso. Contaram-me que ele tinha uma alegria tão grande que não podia agarrar num copo: quebrava-o com a força dos dedos, com a força da sua alegria. Era uma criatura excepcional. Depois foi-se embora, e até desconfiavam dele, e embarcou, e talvez não houvesse lugar na terra para ele. E onde está? Mas era uma alegria bárbara, uma vocação terrível. Partiu. E agora chove, e vamos para casa, e tomamos chá, e comemos aqueles bolos de que tu gostas tanto. E depois? E dpois? Ele era belo e tremendo, com aquela sua alegria, e não tinha medo, e só a vibração interior da sua alegria fazia com que os copos se quebrassem entre os dedos. Foi-se embora."
Herberto Helder
Tuesday, May 15, 2007
glory box

Embaciaste-me a cara com a tua respiração sôfrega... Depois, passaste a mão para voltares à tua nitidez translúcida e, com isso, apagaste-me a memória. A tua clarividência foi-se tornando mais nítida à partida do momento em que a minha se ia perdendo... Esgotaste-me os sentido e foste embora!
Reinventei um espaço, um nome, dias... reinventei-me à pressa. Agora existes-me com menos frequência quando te peço "Deixa-me ir..." mas continuas a prender os dedos nas presilhas das minhas calças... continuas-me a embaciar os ombros... continuas a prender-me contra o teu peito quando sussurras... Por isso, peço-te mais uma vez: "Deixa-me ir..."
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